Alaska – a última fronteira, por Beto Conte, do STB Trip & Travel

Apesar de ter vivido nos EUA, nunca havia estado no Alaska e resolvi desvendá-lo de uma forma muito prática e prazerosa: em um cruzeiro de uma semana, partindo de Vancouver, no Canadá, até Anchorage, no Alaska.

Em nosso primeiro dia de navegação, seguimos a costa Canadense da British Columbia – o cenário de ilhas cobertas de florestas de um lado e baias com montanhas ao fundo já nos dava uma ideia da natureza exuberante que nos aguardava. Ao longo da noite, cruzamos a divisa com os Estados Unidos e amanhecemos em Ketchikan  – o povoado mais ao sul do Alaska – um pequeno porto com seus barcos de pesca e casario colorido de madeira.

Foi grande a emoção em pisar pela primeira vez no Alaska, por muito tempo considerada a última fronteira. Uma região intocada de montanhas, geleiras, florestas de coníferas e rios com salmão. Terra de ursos e alces, de povos nativos e desbravadores aventureiros.
Tivemos muita sorte com um belo dia de sol nessa região onde chove 300 dias por ano, totalizando quase 4 mil mm de chuvas nesse período. Ketchikan, capital mundial do salmão, conta com as 5 espécies de salmão selvagem do Pacifico e pudemos conferir a exausta jornada desse peixe rio acima, desafiando as corredeiras que corta o centro do povoado.

 Muito interessante a visita ao Totem Bight State Park com a maior coleção de totens do mundo, representando as tradições e valores dos povos nativos que ainda representam 20% da população. Esta arte nativa do Alaska pode ser comemorativa de um evento ou celebrando importantes membros de uma tribo. Já os totens familiares comemoram a linhagem e história familiar.

Nossa segunda parada foi em Juneau, a capital do Alaska, com apenas 30 mil habitantes, e que surgiu em 1880 com a corrida do ouro. Trata-se da única capital estadual americana sem acesso por estrada. A única forma de chegar lá é de navio, como fizemos, ou de avião. Apenas 10% população vive no centro de Juneau, que é compacto o suficiente para fazer todo a pé. Com abundância de áreas densamente florestadas e baías tranquilas para caiaque, aqueles que buscam o Alaska por seu isolamento também fogem de seus poucos agrupamentos urbanos. Sua maior atração é o Glaciar Mendenhall que se estende por 20 km, com 800 metros de largura de gelo milenar.

O terceiro porto foi Skagway, no fundo de um fiorde de águas profundas, que também surgiu com a corrida do ouro em 1896 quando chegou a ter mais de 10 mil habitantes. Hoje, um povoado do “velho noroeste” de 950 residentes. O cruzeiro Princess Coral, que foi nossa “casinha” no Alaska, com 210 m de comprimento e 15 andares, tem três vezes mais pessoas que a população local.

Fizemos uma “super trip” pela estrada de ferro construída em poucos anos no final do século XIX para conduzir os aventureiros até as minas de ouro – um fenômeno de engenharia enfrentando uma geografia desafiadora – passando por florestas subtropicais, cânions e vales, cascatas e lagos, tundras, até um cenário subártico nas montanhas de Yukon, no Canadá, a mais de mil metros de altitude.

No dia seguinte, percorremos o Glacier Bay National Park com 3,2 milhões de acres de florestas, fiordes e montanhas de 4.000 m. Sete rios de gelo chegam até essa baía, entre eles o Margerie Glacier, um dos mais ativos do Alaska. Foi nosso dia mais espetacular com glaciares pela manhã e à tarde a vida selvagem com lontras e baleias nos acompanhando, terminando o dia com a vista de Taylor Bay e os picos nevados do Brady Icefield. Memorável. Tivemos uma ótima apresentação a bordo da guarda-parques Mary Lou, que apresentou este conjunto de parques, que compõe a segunda maior aérea protegida do planeta depois da Antártida, e de como nós todos somos tocados pela natureza, pela vida selvagem, e a importância de protegê-la, mantendo essa imensidão para a humanidade. James Cook e George Vancouver, entre outros grandes exploradores, passaram por aqui no final do século XVIII, buscando um acesso ao Atlântico pelo norte.

Nosso dia de navegação continuou maravilhoso, acompanhando 11 picos nevados, entre eles o Mount Fairweather de 4.669m: a imponência da natureza rochosa na imensidão azul do Alaska.
Uma curiosidade foi que ao longo de nossos jantares no cruzeiro fomos servidos pelo Mathias Vieira, de Gramado/RS, muito simpático. Uma ótima seleção de halibut (peixe Alaska), king crab, Lagosta, escargot, salmão, truta, mexilhões (ômega 3 em dia!).
Em nosso ultimo dia de cruzeiro pelo Alaska, chegamos até o College Fjord – um braço de mar que serpenteia entre montanhas e onde desembocam seis glaciares. Nesse belo final de tarde, apreciando os gigantes de gelo, tivemos o presente de observar uma família urso na costa. Com boa imaginação, seguíamos o relato do ranger descrevendo a cena da Mom urso com 3 babies na praia e Dad urso no bosque. Somente binóculos potentes puderam conferir, mas de fato conseguíamos ver as “spots” negras se deslocando pela praia. Vida selvagem com sombra e água fresca.

Partimos então para Anchorage, a maior cidade do Alaska com 290 mil habitantes – 10% dos quais descendentes dos povos nativos que aqui chegaram há 15 mil anos, atravessando o estreito de Bering. Chegamos até a última fronteira, com gostinho de quero mais. Recomendo.

 * Beto Conte, do STB Trip & Travel, já percorreu 132 países nos 5 continentes e colabora com suas impressões para o blog da Supercâmbio. Confira os relatos de viagens do Beto conduzindo os Grand Tour STB pelo mundo no blog www.betonomundo.wordpress.com.

* A Supercâmbio é primeiro portal online de comparação de taxas de câmbio e compra de moedas estrangeiras do Brasil. No site, o cliente pesquisa a cotação do câmbio de hoje nas melhores casas de câmbio e concluiu seu pedido sem sair de casa. Entre as opções estão dólar, euro, pesos e outras 15 moedas de diferentes países. O pagamento é feito diretamente para a empresa escolhida e a moeda é retirada na loja selecionada ou, se a opção for delivery, a entrega é feita no local indicado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bitnami