Por que a taxa de câmbio é volátil? Por Fernando Ferrari Filho

Por que ora a taxa de câmbio, reais por dólar norte-americano, fecha o ano a R$ 3,95, como foi em 2015, ora ela encerra o ano de 2016 a R$ 3,26? Atualmente, por exemplo, a taxa de câmbio tem variado ao redor de R$ 3,25/US$ 1,00.

Várias são as explicações, entre as quais: o movimento de fluxos cambais diários, sejam comerciais, sejam financeiros; o comportamento das taxas de juros, tanto as domésticas quanto as internacionais; e as incertezas econômicas e políticas.

No caso brasileiro, não sendo o real uma moeda de conversibilidade internacional, ou seja, não tendo aceitação como meio de troca e reserva de valor em outros países, a volatilidade cambial é muito mais recorrente e abrupta. Nos últimos anos motivos não faltam para justificar as volatilidades de nossa moeda, tais como: alterações nas taxas de juros, Selic e dos fed funds (taxa básica de juros dos Estados Unidos); a recessão econômica (entre 2014 e 2016 o Produto Interno Bruto acumulou uma queda da ordem de 7,2%); e, principalmente, a incerteza política.

Explorando o último motivo, os desdobramentos da Operação Lava Jato, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a possibilidade de Michel Temer não terminar seu mandato devido às consequências da delação dos donos da JBS à Procuradoria-Geral da República acabam fazendo com que o mercado de divisas (cambial) seja consideravelmente volátil.

A volatilidade cambial, diga-se de passagem, é o pior dos mundos, pois ela acaba postergando ou antecipando as tomadas de decisão dos agentes econômicos que operam com câmbio. Exemplificando, suponhamos que, devido à atual instabilidade política brasileira, os agentes econômicos brasileiros preveem uma desvalorização significativa da taxa de câmbio, semelhante àquela que ocorreu em 2015, ou seja, ao redor de 50,0%. Admitindo que não haja hedge cambial nas operações de câmbio, então, se um dos agentes econômicos for um turista brasileiro prestes a viajar ele antecipará a compra da moeda estrangeira (dólar ou euro), ao passo que se o agente econômico for uma empresa exportadora ele postergará o fechamento do contrato de câmbio. A consequência dessas posturas é que, no primeiro caso, haverá uma pressão por demanda de câmbio, ao passo que na segunda situação a expansão da oferta de divisas será adiada para o futuro. Em suma, o fluxo cambial se alterará no curto prazo.

Para finalizar, no mercado cambial o fundamental é a tendência (valorização ou desvalorização) e não a volatilidade da taxa de câmbio.

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* Fernando Ferrari Filho é professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

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