É possível precificar a taxa de câmbio para o final do ano? Por Fernando Ferrari Filho

Como se sabe, taxa de câmbio é um dos preços da macroeconomia mais difícil de ser precificado, ou seja, ser estimado, principalmente em economias que não têm moeda de conversibilidade[1], como é o caso da brasileira.

Via de regra, os agentes e analistas econômicos procuram precificar (estimar) a taxa de câmbio levando em consideração os fundamentos macroeconômicos (fiscal e de balanço de pagamentos), os fluxos comercial e financeiro de câmbio e o volume de reservas cambiais, entre outras variáveis.

No caso brasileiro, a partir de uma ligeira análise sobre as referidas variáveis, pode-se dizer que a taxa de câmbio, reais por dólar, no final do ano não deverá ser muito diferente dos R$ 3,25/US$ 1,00 observados ao longo das últimas semanas. Por quê? Primeiro, porque as reformas estruturais do governo Temer – fiscal (Novo Regime Fiscal) e trabalhista – foram aprovadas no Congresso Nacional e o saldo da balança comercial tem crescido vertiginosamente. Assim sendo, a economia brasileira vem melhorando os seus fundamentos macroeconômicos. Segundo, porque os fluxos comercial e financeiro de câmbio – diga-se de passagem, decorrentes dos superávits da balança comercial e dos influxos de capital de portfólio e de investimento direto estrangeiro, respectivamente – estão positivos. Terceiro, porque as reservas cambiais brasileiras se encontram ao redor de US$ 375,0 bilhões.

A despeito destas variáveis de natureza econômica estarem contribuindo positivamente para que façamos a nossa precificação da taxa de câmbio para dezembro próximo em R$ 3,25/US$ 1,00, a instabilidade política, advinda tanto da possibilidade do Congresso Nacional aceitar a autorização da denúncia por corrupção passiva contra o presidente Temer quanto de novos desdobramentos da Operação Lava Jato, caso venha a ocorrer, pode ser um importante fator para que tenhamos outras turbulências e desvalorizações acentuadas da taxa de câmbio no segundo semestre do ano.

Assim sendo, as posições “compradas” ou “vendidas” em câmbio, por parte dos agentes econômicos, para o final do ano dependerão dos pesos (econômicos ou políticos) que estes vierem a atribuir em suas projeções da taxa de câmbio futura. Façam as suas apostas!

[1] Moeda de conversibilidade é a moeda doméstica que não tem restrições no seu comércio com outras moedas internacionais. Por exemplo, dólar, euro e iene são exemplos de moeda conversíveis internacionalmente.

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* Fernando Ferrari Filho é professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

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