O sistema cambial brasileiro à la dirty floating – Por Fernando Ferrari Filho

Via de regra, os preços, em uma economia de mercado, são determinados pelas condições de demanda e oferta. Se a demanda por um determinado produto excede a oferta, o preço tende a se elevar, ao passo que se a oferta é superior à demanda o preço do produto tende a cair.

No mercado de câmbio, em um contexto de plena flexibilidade cambial, a sistemática é a mesma. Por exemplo, no caso brasileiro, se a demanda por câmbio – suponhamos turistas brasileiros demandando dólares ou euros para viajarem para os Estados Unidos ou a Europa – for maior que a oferta de divisas estrangeiras – indo na mesma linha da suposição, turistas norte-americanos e europeus que trocam, respectivamente, dólares e euros por reais quando realizam turismo no Brasil – a taxa de câmbio, reais por dólar ou reais por euros, tende a ser elevar, e vice-versa.

O movimento de elevação ou queda da taxa de câmbio significa, em outras palavras, desvalorização ou valorização cambial.

Para evitar que desvalorizações ou valorizações cambiais excessivas tenham, no curto prazo, impactos sobre a política monetária e o nível de preços, os bancos centrais costumam intervir no mercado de câmbio, vendendo ou comprando, respectivamente, divisas estrangeiras, para afetar a taxa de câmbio futura em conformidade com a política econômica traçada pela autoridade monetária (AM).

No Brasil, desde o início dos anos 2000, o principal instrumento de política cambial operacionalizado pelo Banco Central (BC) é a oferta deswap cambial, ou seja, um derivativo – ativo financeiro que depende do valor de outros ativos – no qual o BC assume posições vendidas ou compradas em dólar, visando, com isso, estabilizar/ “fixar” a taxa de câmbio no futuro.

Assim sendo e concluindo, teoricamente o sistema cambial brasileiro é flexível, mas, na prática, a taxa de câmbio é determinada tanto pelo mercado quanto pela AM. No “economês”, o referido sistema é denominado dirty floating.

* Fernando Ferrari Filho é professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

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