Os efeitos transmissores da taxa de câmbio – Por Fernando Ferrari Filho

Como se sabe, as políticas macroeconômicas, fiscal, monetária e cambial, têm efeitos transmissores, diretos e indiretos, sobre as variáveis econômicas, tais como nível de atividade econômica, preços dos ativos e resultados fiscal e externo, bem como há uma relação entre elas.

Centrando a atenção na política cambial, alguns dos principais efeitos da variação da taxa de câmbio são observados na balança comercial, no nível de preços e na taxa de juros. Mais especificamente, se a taxa de câmbio é desvalorizada/valorizada, via de regra, ela tende a impactar (i) positivamente/negativamente as exportações líquidas, uma vez que essas se tornam mais/menos competitivas, (ii) a dinâmica inflacionária/desinflacionaria, principalmente se os preços dos bens intermediários ou finais forem indexados ao câmbio, e (iii) negativamente/positivamente a taxa de juros nominal.

Tendo como referência a taxa de câmbio brasileira, reais por dólares, é possível observarmos como a variação cambial e as referidas variáveis se comportaram no período 2014-2016. Em 2014, 2015 e 2016, a cotação real-dólar, ao final de dezembro, foi, respectivamente, 2,65, 3,95 e 3,26, ou seja, houve uma desvalorização cambial da ordem de 49,0%, entre 2014 e 2015, ao passo que ocorreu uma valorização cambialde 17,5%, entre 2015 e 2016.

Ademais, ao longo desse período, a taxa de câmbio acumulou uma desvalorização de aproximadamente 23,0%. Por sua vez, os comportamentos da balança comercial, do IPCA – índice oficial da inflação brasileira – e da taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) – taxa básica de juros determinada pelo Banco Central do Brasil – foram os seguintes: as exportações saíram de um resultado negativo de US$ 3,9 bilhões, em 2014, para um superávit de US$ 47,7 bilhões, em 2016; a inflação elevou-se de 6,41%, em 2014, para 10,67%, em 2015, e em 2016 recuou para 6,29%; e a taxa Selic, ao final de dezembro de cada ano, foi de 11,75%, em 2014, 14,25%, em 2015, e 13,75%, em 2016.

Pois bem, apesar de sabermos que há outros fatores que acabam impactando o saldo da balança comercial, a inflação e a taxa de juros, o nosso objetivo neste breve texto foi tão somente mostrar que, à luz da experiência recente da economia brasileira, existe uma relação de causalidade entre a taxa de câmbio e essas variáveis econômicas. Em outras palavras, a taxa de câmbio causa efeitos transmissores na economia.

Fernando Ferrari Filho é professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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